Curiosidades

Uma verdadeira relíquia o texto de Monteiro Lobato e as imagens de Di Cavalcanti. A grafia da língua portuguesa nos anos 20 também é deliociosa.

 

Fantoches da meia-noite

“Pela fatigada praça do bairro vicioso, onde os lampeões allumiam desvãos com uma luz erma, arrastam-se vultos. Numa esquina, ao fundo,  há um bar. Vem das portas amplas o barulho confuso das vozes e a sacudida plangência do piano fanhoso.

Somnolento, o rondante olha o luar.

Mulheres, sahindo dos becos equívocos que desembocam na praça fatigada, param perto de homens, murmurando convites.

– “É doloroso um convite assim, sem conhecer as pessoas”

– “Meu caro poeta…”

– “Meu caro pintor…”

– “O bar deve estar delicioso.”

– “Fantoches da meia noite… Como são infelizes, trágicos!”

– “Nós também somos fantoches.”

–  “Nunca nos poderemos divertir. Porque será que enxergamos esses fios que movem as criaturas? Ellas não sabem de nada…”

“A meia noite é o princípio de uma vida diferente. Todas confessam, sem querer.”

–  “Todas mostram os cordéis…”

E o luar, como uma gambiarra excepcional, illumina do alto a farça monótona…”

Monteiro Lobato  & Cia (Rio de Janeiro – 1922)

Fonte: Literatura em Quadrinhos no Brasil, Nova Fronteira, pp. 81-99, 2002.

 

gibi1

 

 

Gib1

Gib2

Gib3

Gib4

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *