Esconderijos

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Gosto de lugares em que possa esconder minha alma atribulada. Vãos embaixo de escadas são ótimos para isso porque têm um pouco de sombra e de luz, mais sombra talvez.  Ultimamente escolhi a opacidade como vitrine de mim mesma. Essa história de ser transparente não é nada conveniente, pois dá margem a todo mundo achar que nos conhece muito bem e que somos um livro aberto sem páginas dobradas, rasgadas, faltando.

Não quero ninguém radiografando minha alma, minha vida, meus pensamentos.  Opto pela incógnita, pelo jogo do esconde-esconde, pelo mistério. Que coisa mais sem graça essa de andar se desnudando, mostrando-se inteiramente sem nenhum véu, por menor que seja, cobrindo algumas partes do eu mesma. Oculto minh ‘alma sob grossa  burca e deixo que a curiosidade alheia adivinhe o que há por baixo dela.

Vou andar por aí cobrindo meus desejos e anseios, tristezas e choros, decepções e tomadas de decisão com a capa da invisibilidade. Quem quiser me conhecer a fundo, olhe-me demoradamente e com cuidado, procure perceber nos detalhes o que me aflige ou alegra. Não precisa discursar amizade, nem gritar aos quatro ventos que me ama. Quando perceber algo, seja o que for, basta que toque meu ombro com mão morna e sem palavras faça que eu ouça com o coração: “estou aqui com você”.


Quando uma saudade entra sorrateira e se instala em minha vida,
um tremor agita a alma e o coração bate com vagar, sufocado pela angústia.
Não há remédio para dores da alma, são dores abstratas no vazio de uma vida.
A falta futura do que tenho hoje é absurdamente inverossímil…
Em fluidos de solidão perco-me. Em vestígios de angústia não me reconheço.
Sinto que alguma coisa se esvai entre sombras diáfanas e brisas leves.
Um sopro leve de tristeza semitonada enche de lágrimas meus olhos
Choro baixinho, sem soluços, nem mágoas. Choro por um adeus…
Postado em 07/05/2012

Guerreira

guerreira

A face transparece serenidade.
A calma do olhar, o riso fácil…
A palavra alegre, os gestos amplos.
Mas a alma… Ah! quão diferente!
A alma chora, arrancando do fundo,
do mais profundo, do recôndito do ser,
um soluço que sai rasgando,
dilacerando o coração, apertando a garganta,
porém, sem explodir em lágrimas!
Olhos secos, aparentetemente olhando o mundo.
No fundo são olhos que enxergam para dentro,
que vêem uma mulher frágil, sofrida,
solitária, incompreendida, insatisfeita,
triste, doída, cansada.
Cansada de se mostrar guerreira
de estar sempre de arma em punho,
alerta para não se apanhada
em estado de fragilidade pública.
Pena ter que ser assim.
Tão sertaneja fêmea.
Melhor e mais fácil seria…
Apenas e tão somente
Ser mulher…

Postado em 13/12/2011
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