Moinho do Tempo


Venho refletindo há algum tempo sobre as mudanças de valores, costumes e hábitos pelas quais os seres humanos vêm passando ao longo dos séculos. Já houve época em que ter uma cabana para morar, alimentação frugal e uma atividade que rendesse algum meio para a sobrevivência do indivíduo ou do grupo familiar, era o bastante para que se vivesse de forma digna e sem o estresse de ter que bater ponto diariamente. As necessidades ainda não estavam atreladas ao consumo exagerado do mundo hodierno, dançava-se conforme o bolso e não no compasso desmedido do apelo comercial, da publicidade, da vontade de ter o supérfluo.

Ser feliz hoje depende muito do DVD de última geração adquirido em “doze suaves prestações”, da TV LCD Full HD com decodificador para TV digital, entrada HDMI e etc. e tal instalado no quarto, do home theather da sala de TV, do telefone viva voz com identificador de chamadas, do micro celular que grava, filma, acessa internet e monitora os passos dos filhos adolescentes, da câmera digital de preferência a partir de 12 mega pixels (nem sei como se escreve isso…), do tablet e sua tela touchscreen …

Vive-se afogado num mar de controle remoto e para não perder cinco preciosos minutos — afinal tempo é dinheiro — tentando encontrar qual deles liga o micro system, a solução é etiquetar todos e depois fazer uma lista e colocá-la em lugar bem visível: 01 controle da TV do quarto das crianças, 02 controle das cortinas da sala, 03 controle do microondas…

Que saudade do tempo em que eu e toda a meninada da rua, no finalzinho da tarde colocávamos um banco comprido na esquina para esperar as primeiras estrelas surgirem no céu. Ficávamos com os olhos fitos no horizonte que aos poucos ia sendo tingido de lilás, dourado, rosa… Nossa! Nem sei mais quando foi que olhei para o céu pela última vez buscando ver estrelas. Se não as buscamos no céu seremos muito menos capazes de ouvi-las, como o fazia Bilac…

E pensar que embora queiramos tanto aquele computador ponta de linha, com gravador de DVD e CD, HD de 1 ou 2 terabytes, 500 mega bytes de memória e etc., etc., mesmo assim um dia todos morreremos e tudo isso ficará para trás. Bom, nada se pode fazer quanto a isso. O que me consola é saber que no dia que chegar a minha vez, os amigos e parentes saberão que fui desta para melhor através de um e-mail…

Postado em 05/11/2011

Definições


O que é a alegria, se não um pedaço de céu azul surgindo por entre nuvens escuras de tempestade. Ou um raio de sol que entra pela fresta da telha no quarto escuro daquela criancinha doente… A lágrima de emoção que desce furtiva ao assistir aquele filme romântico e açucarado… Também pode ser o perfume de um canteiro de rosas que surge inesperado na curva de uma longa estrada… A brisa que desmancha os cachos do cabelo do nosso amado… O brilho no olhar quando alguém nos diz: “Amo você”. 
Alegria é acordar e saber que o dia nos espera. É a correria… os horários apertados… Sim, pois estes são sinais de que estamos vivos e integrados no mundo à nossa volta.Pode ser um por-do-sol numa tarde de verão, quando os raios tingem o céu de todos os matizes e congela na nossa pupila tão bela imagem. Alegria é ter certeza que somos importantes para alguém, e termos pessoas que nos são tão caras, tão queridas. É saber repartir o abraço, é retribuir o beijo nem que seja jogando-o com as pontas dos dedos.

É ter vontade de sair dançando no meio da chuva, fechar os olhos e sonhar acordado. É lembrar o tempo que passou e dar risadas com as bobagens que fizemos, ter saudade dos oito, dos dezoito anos e sonhar com a celebração dos oitenta daqui a um monte de tempo… É ouvir a música preferida repetidas vezes e nos emocionar sempre como se fosse a primeira audição.

Alegria é reter nos lábios o gosto do primeiro beijo, é ficar corado ao recordar a “primeira vez”… É ler aquele livro e chorar de emoção em vários trechos. É ter devaneios à luz das estrelas.

Alegria é saber que nem o tempo e nem a distância separam os que amam. É costurar a cada dia, um pedacinho de nós, com a luz invisível do amor de Deus, nesta colcha de retalhos que forma a vida.

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