Pontos de luz


Saudades são como pontos de luz que brilham em nós alegrando-nos ou entristecendo-nos. Mas viver sem saudade é como ter deixado a página em branco, não ter vivido. Gosto de sentir saudade principalmente pela certeza de que não deixei para trás nada que pudesse ter sido diferente. Minha vida é fruto de minhas escolhas, portanto minhas saudades foram escolhidas lá atrás e são parte de mim.

Não lamento chorar por tristes lembranças, pois minha lucidez entende que felicidade amiúde é coisa impossível. Da mesma forma que tristeza amiúde é patologia e deve, portanto, ser tratada. O bom da vida é justamente este oscilar entre momentos alegres e tristes, bons e maus. Cada um, a seu tempo, tem seu valor e sua necessidade. Tudo que permanece igual por muito tempo vira monotonia.

Aproveitar cada instante, usufruir pequenos segundos preenchidos com sentimentos variados, mas que se intercalam e muitas vezes até se mesclam, requer sabedoria e paciência. O tempo não obedece a nossa vontade, é ele que dita os instantes que formam essa teia chamada vida. A nós cabe o esforço necessário, jamais além de nossas próprias possibilidade, de ir aproveitando esse tempo com o cuidado de não desperdiçar nenhum momento, porque um mínimo segundo pode ser fonte de inexplicável prazer e felicidade.

Costuro minha vida dessa forma simples. O que chega para mim vou aceitando o que quero, empurrando para o fundo de uma gaveta o que não me agrada, explorando o que sei que dará bons frutos, aprendendo com meu erros e ouvindo quem sabe mais do que eu. Sou boa discípula, pois tenho certeza de que há muita coisa reservada em meu futuro, boas e más, e saberei dar conta de cada uma delas. No fim tudo será apenas pontos de luz, ou seja, saudades.

Postado em 12/08/2012

Separação

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Sinto falta da sua presença. Há um vazio diário no qual mergulho sempre que não há nada para fazer. É meu refúgio do mundo, da realidade, da vida. Esse aparente vazio é meu jardim secreto onde posso ser apenas eu mesma. Não há normas, nem horários, nem remorsos. Entretanto nem mesmo assim encontro você. Por mais que tente subverter a razão e me perder na loucura da saudade não consigo nos ver no passado.

Há uma linha intransponível impedindo a minha passagem. Busco algum coelho branco apressado que me guie por um mundo sem começo e nem fim, mas não sendo Alice, não há país das maravilhas para mim… Sei que você está em algum lugar, quero achá-lo, mas não sei onde lhe perdi. Evoco seu rosto, seus olhos, sua boca, mas em minha memória há apenas um vulto, uma espécie de avatar: é a sua representação, mas nada se assemelha ao homem que amei.

As lembranças são um amontoado de flores sem perfume. Para mim são inúteis, pois não resgatam a felicidade e nem diminuem a solidão. Não há bilhetes, nem papel de bombom guardado entre páginas amareladas de livros velhos, nem fotografias de outrora em que estejamos juntos. Não há nada. Resta-me apenas a sensação de que em algum lugar, não sei bem onde, nossas mãos entrelaçadas separaram-se. Cada um de nós foi para um lado, seguiu seu caminho. Sem adeus nem até breve.

Postado em 13/05/2012
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