Palavra

 

 palavras

A palavra me move.

Às vezes em direção à linha do infinito,

aonde derramo meus sonhos coloridos

pelo sol que se põe em raios iridescentes.

Outras vezes, leva-me ao abismo

cujas sombras densas, escuras refletem

minha dor e desengano.

Palavras têm vida, são prenhes de representações.

Há quem encontre doçura ou rudeza em adjetivos,

Vida e morte nos substantivos.

Dúvida e tempo nos advérbios.

Ação e imobilidade nos verbos.

A palavra me move.

A vida se manifesta em meu ser

pela palavra.

Sou palavra em forma humana.

Ah! Palavras ao vento, palavras…

 

Barcos ao mar


Em tardes mornas de primavera eu deitava na grama olhando o céu. Fechava os olhos e imaginava um mar safira com espumas brancas, onde pequeno barco com vela carmim balançava ao sabor do vento e da água. Dentro, apenas eu sentada com os olhos mergulhados naquela imensidão azul. O único ruído era o murmurar de pequenas ondas no casco da embarcação. O mundo inteiro se resumia ao que os meus olhos alcançavam. Sem passado e sem futuro o tempo era aquele. A ampulheta parava, os relógios congelavam seus ponteiros, a vida estava suspensa naquele instante mágico. Dores e temores, medos e ansiedades tudo sumira no abissal abismo do oceano. Uma doce paz ocupando todos os espaços, enchia corpo e alma de uma gostosura cálida, crescendo até explodir num êxtase de pura felicidade.

Abrindo os olhos, ancorava meu barco de sonhos num porto imaginário, recolhia a vela e esvaziava o mar. Ficavam guardados para momentos de sonhos e devaneios em outras tardes primaveris. Durante meu tempo de menina fui marinheira de muitas viagens e desbravei oceanos mundo afora. Hoje meu mar é uma página branca que preencho de palavras, tal como pequenas embarcações que carregam sonhos, sentimentos, dores, amores, esperanças. Sou maruja da escrita, navego no universo da palavra e em minhas viagens vou deixando um rastro de sentimentos que ondulam no mar da vida.

Postado em 16/06/2012

Sonho, logo existo


Olhando a imensidão do mar, aquela linha quase invisível que separa água e céu, o pensamento era: o que haveria após? Talvez o deus Atlas sustentando o Mundo, o abismo de águas jorrantes, a escuridão total… Que bobagem… Se a gente deixar o pensamento nos leva a desvarios sem tamanho, loucuras disfarçadas usando o pseudônimo de imaginação.

Todavia, mesmo sabendo que além daquela linha tênue o que existe é apenas a continuação da água e do céu, é tão sem graça, tão óbvio, que melhor mesmo é imaginar coisas mirabolantes, estapafúrdias. Depois do infinito – veja que absurdo, se é infinito como pode existir algo além de –, mas depois do infinito há um mundo desconhecido, maravilhoso cheio de seres interessantes e belos. E novidade maior! O tempo não passa!

Para além daquele fiapo de quase nada, há o universo fantástico dos que sonham, criam, inventam. É a terra daqueles que fazem de conta que o céu é realmente azul cheio de carneirinhos brancos chamados nuvens. É o habitat de quem não perde a esperança e canta a plenos pulmões canções de amor, acalantos para bebês dormirem, hinos de gratidão a Deus.

Olhando a imensidão do mar, aquela marquinha separadora de água e céu, lâmina imperceptível aos olhos de quem olha, mas não vê, enxergo um caminho de luz, um brilho de paz, um chamamento de amor e, tranquila, serena, caminho lentamente por sobre as águas, inebriada de felicidade. Sonho, logo existo!
Postado em 07/08/2011
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