Palavra

 

 palavras

A palavra me move.

Às vezes em direção à linha do infinito,

aonde derramo meus sonhos coloridos

pelo sol que se põe em raios iridescentes.

Outras vezes, leva-me ao abismo

cujas sombras densas, escuras refletem

minha dor e desengano.

Palavras têm vida, são prenhes de representações.

Há quem encontre doçura ou rudeza em adjetivos,

Vida e morte nos substantivos.

Dúvida e tempo nos advérbios.

Ação e imobilidade nos verbos.

A palavra me move.

A vida se manifesta em meu ser

pela palavra.

Sou palavra em forma humana.

Ah! Palavras ao vento, palavras…

 

A Linguagem nossa de cada dia…

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Falar é um privilégio reservado aos seres humanos. Quando pensamos em comunicação, a primeira coisa que vem à cabeça é o ato de falar, apesar de a comunicação abranger outros meios como desenhos, palavras escritas, símbolos, cores, gestos, expressões corporais. Entretanto nenhum deles é tão significativo quanto a linguagem oral e a prova disto é a transmissão de culturas ao longo dos séculos, realizadas tão somente por meio da oralidade e de vestígios materiais, como no caso dos índios brasileiros, por exemplo.
Entretanto, a comunicação estabelecida entre as pessoas não se limita apenas à transmissão de mensagens relacionadas ao mundo exterior. Na teia das relações sociais a fala é o meio pelo qual expomos nossos sentimentos, estado de espírito, receios, alegrias, permitindo assim que os outros nos conheçam, ao passo em que também conhecemos os nossos pares a partir do momento em que essa troca é realizada. Portanto, é necessário que a linguagem seja rica e elaborada para cumprir de forma ideal esse compartilhamento.
Os leitores não se assustem, pois não tenho intenção de desenvolver um “estudo” acerca da fala, linguagem, comunicação e etc. Na verdade, pretendo dividir um pouco da minha ansiedade e preocupação em relação ao modo de falar de uma parcela significativa da sociedade e que vem diluindo a civilidade antes presente na comunicação. Sim, porque havia uma civilidade nos diálogos de outrora, civilidade esta que vai sendo substituída pelo uso indiscriminado de palavras grosseiras e termos chulos.
Ultimamente sempre que entro no Facebook leio todos comentários que se encontram na página principal e passo no mínimo quinze minutos lendo e “peneirando” o que fica e o que deve ser ocultado. Todas as mensagens que contêm palavrões eu oculto. Todos os textos com mensagens preconceituosas também. Não sou santa e conheço muitos palavrões, mas quando criança disseram-me o seguinte: “Palavrão a gente aprende, mas quase nunca deve ser dito”. Claro que falei uns bons palavrões no meu tempo de criança – sempre em momentos de raiva – e, da mesma forma os usei quando jovem. Na fase adulta eles entram até hoje inseridos no contexto de uma piada, de uma situação engraçada e mesmo assim entre amigos íntimos. Contudo, o uso indiscriminado de palavrões na comunicação oral e escrita causa-me espanto, principalmente porque na maioria das vezes a coisa é feita de forma gratuita, ou seja, sem nenhuma necessidade, sem que o contexto justifique. A língua portuguesa contém seiscentos e seis mil vocábulos, portanto quem opta pelo nome feio o faz por livre escolha e não por escassez de palavras.
Tenho firme convicção que nada substitui a boa educação e o emprego de uma linguagem amável. Excessos sempre são perigosos. Excesso de nomes feios configura um retrocesso que deve ser evitado. Vamos analisar, por exemplo, a origem de dois termos: comunicação e comunidade. Comunidade vem do latim COMMUNIS, “comum, geral, compartilhado por muitos, público”. Comunicação, do latim COMMUNICATIO, “ato de repartir, de distribuir”, literalmente “tornar comum”, de communis, “público, geral, compartido por vários” é parente de “comunhão. Comunidade e comunicação, portanto, são palavras irmãs, ambas remetem a COMPARTILHAR. Não será melhor então compartilhar uma linguagem mais civilizada, mais bonita? O mundo já está tão de cabeça para baixo, a violência vem se instalando de forma sorrateira em todos os setores de nossas vidas e não podemos permitir que ela contamine a nossa comunicação.
Eu poderia terminar essa matéria fazendo a seguinte reflexão:  “Quem quiser falar grosseiramente que fale, não estou nem aí! Eles que se lixem!”. Como acho que contemporizar sempre é bom e surte o efeito desejado, prefiro conclamar a todos que reflitam sobre a linguagem que estão utilizando, que procurem detectar o que precisa ser abolido, o que pode ser melhorado e que, por fim, sejamos agentes transformadores da nossa linguagem no sentido de aprimorá-la, nivelá-la por cima.
 

Inauguração


Gosto muito de brincar com as palavras. Claro que não tenho a pretensão de ser uma grande escritora, mas sou fascinada por esse universo de letras que isoladas são apenas isso: letras. Mas juntas formam sílabas, que por sua vez formam palavras e juntando palavras, temos o mundo em nossas mãos. Podemos decidir sobre a vida ou a morte, dar ou tirar a liberdade, colocar alguém nas alturas ou jogá-la no fundo do poço com apenas uma única palavra.

Fernando Veríssimo, pontua essa capacidade de as palavras mexerem com a nossa imaginação no texto Defenestração. É muito interessante a forma como reagimos diante deste ou daquele vocábulo. Lembro de uma menina – hoje balzaquiana – que por volta de seus dois, três anos reagia com palmas e sorrisos ou choros e gritos quando a irmã mais velha dizia determinados nomes. Palavras estranhas, como paradoxo, excêntrico e escapulário provocava choradeira de dar dó na pobre criança. Entretanto florista, azulado e alfenim eram recebidos com muitas palmas e risadas. Como é linda a inocência infantil. É essa magia que me encanta! A música, a poesia, a beleza do falar reside nesse mecanismo simples e, ao mesmo tempo, complexo de juntar palavras.O blog Contexto & Cia, tem a finalidade de servir de espaço para que eu possa misturar idéias, nomes e pronomes, verbos e advérbios, adjetivos e preposições, conjunções e interjeições, artigos e numerais e produzir pequenos textos que expressem o que vai em minh’alma. Como vivo muito sozinha, é a forma que tenho de falar com o mundo. 

Postado  em 06/07/2011
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