Sem medo de entristecer

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Quando olhei para trás, até onde a vista alcançava, só pude ver uma bruma acinzentada encobrindo as montanhas. O vento frio balançava os galhos da frondosa casuarina que se dobrava num lamento triste. Assim como o tempo à minha volta, eu também me encontrava triste e lamentosa. Buscava entender o sentido das coisas e o sentido da vida. Quanto mais indagações fazia, menos respostas encontrava.

Essa matemática inerente a perdas e ganhos em que muitos dizem que a perda às vezes é um ganho e o ganho, ao contrário, pode significar infinitas perdas, embora meu lado racional entenda, meu emocional não processa dessa forma. Perder sempre será ruim, não importa que benefícios traga, haverá ali aquele vazio. Naquele momento, principalmente, lições de vida, moral da história e todas essas frases feitas eram apenas isso: frase feita de pouca valia. Era meio aquilo que minha mãe sempre dizia: “Com banana e bolo se engana os tolos”.

Parada naquela estradinha sinuosa, refleti que se estou desiludida e quero chorar, deixem! Não digam nada! Chorar copiosamente é como tempestade em tempo de seca, quanto mais cai, mais molha o chão, mais carrega a poeira, mais vida traz. Um “toró de lágrimas” lava a alma e carrega as mágoas para longe, para algum lugar aonde não nos causam mais nenhuma dor. Naquele momento percebi que ficar triste também é preciso. Em meio a tristeza avaliamos melhor as coisas e as pessoas. A tristeza é criativa, a dor de cotovelo é inspiradora. Não sei de nenhum grande poema surgido em meio à alegria extrema.

Por que as pessoas temem tanto a fossa, a tristeza, a desilusão? A vida não é um carnaval, um oba oba infinito onde o riso e a felicidade têm que ser o carro-chefe, portanto dias cinzentos, tempos de desesperança estão incluídos nesse pacote que recebemos ao nascer. Mas sempre haverá um amanhã e com ele o prenúncio de mudanças que, se Deus quiser, serão para melhor.

Perdas e danos


Estou contabilizando o ano de 2011. Afinal, ele já se foi desde ontem e é hora de dar balanço. O que ganhei, o que perdi, o que fiz, o que deixei de fazer, o que protelei para o ano que vem, o que dei, o que recebi… são tantas coisinhas nessa linha aí, que se continuar terá a lista, da lista… paremos, pois.

Os ganhos

Ganhei experiência de vida, sem dúvida nenhuma. Aprendi através dos meus erros o que não farei novamente. Ganhei também sabedoria, discernimento. Aprendi a compreender melhor o ser humano. A perceber o quanto somos todos meio patológicos, com neuras, maniazinhas inúteis, idiossincrasias descartáveis. Haverá alguém normal? Se houver, o último a sair jogue fora a fluoxetina..

As perdas

Perdi a esperança em encontrar políticos honestos neste país. Se alguém souber de algum, passe-me um e-mail avisando, afinal é um animal raro, em vias de extinção que precisa ser admirado. Perdi a vontade de viver em alguns momentos, mas como não sei nada sobre o lado de lá, prefiro ficar por aqui mesmo. Aqui pelo menos a gente já conhece os prós e os contras…

Balanço final

Vou continuar fazendo planos para 2012 — dos quais muitos não sairão da fase hipotética —, continuarei com as dívidas contraídas em 2011, sem saber como pagá-las, há de aparecer um jeito. Estarei um ano mais velha, com mais rugas, mais fios de cabelos brancos, mas com uma certeza inabalável: viver ainda vale a pena.

Postado em 1º de janeiro de 2012
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