Mudanças

 

Nostalgia_by_nighty

A semana passou tão rápido que levei o maior susto ao constatar que hoje já é sábado! Não me dei conta que o tempo havia corrido assim. Ainda há pouco era domingo e já será domingo novamente amanhã… Tenho ouvido as pessoas falarem que hoje os dias passam mais rápido. Há uma urgência nas coisas, que faz com que andemos igual ao Coelho Branco da história de Alice, no País das Maravilhas, repetindo a cantilena: “Oh
puxa! Oh puxa! Eu devo estar muito atrasado!”.

Não se para mais para apreciar o voo das borboletas em torno dos canteiros. Nem sequer percebemos se há canteiros… Ninguém nota o suave murmurar da brisa sobre a copa das árvores, nem céu cheio de nuvens que se parecem com carneirinhos. Céu pedrento… Quando menina eu ouvia os adultos dizerem: “Céu pedrento chuva ou vento, ou qualquer outro tempo”. O céu de hoje é outro e de lá não vem apenas chuva, ou sol. Vêm bombas. Caem aviões.

Lembro que bem pequena ia sempre à praia. Era delicioso sentar ali na beirinha da água e ficar fazendo castelinhos de areia. Uma onda mais forte derrubava tudo e entre gritos e muitas risadas, nós crianças, refazíamos tudo. Os adultos, sob os guarda-sóis, ficavam conversando ou simplesmente aproveitando o momento. Vez por outro éramos convocados a tomar um sorvete, chupar um picolé.

A praia de hoje tem futivôlei,  cachorros, vendedores de todo tipo, pessoas que comem desesperadamente e comem de tudo: do pastel ao queijinho assado; da água de coco ao uísque; do peixe assado ao cachorro-quente. Um festival gastronômico regado à brisa marinha e muito lixo deixado na areia e no fundo do mar.

Ia-se às pracinhas, ao Jardim Zoológico, ao cinema do bairro nas deliciosas matinês de sábado. Os cinemas colocavam cartazes anunciando o vesperal do fim de semana e corríamos para ver qual seria a nova fita a ser exibida. E cinema tinha lanterninha. Oh, céus! Estou me sentindo um ser jurássico! Sou do tempo do lanterninha, dos beijos trocados no escurinho do cinema! Beijos hoje dão-se em shoppings, nas praças públicas às claras, sem pudores nem temores. O amor virou artigo raro, ninguém namora mais: “fica”. Não há sensualidade, há sexo.  Antes sexo era uma das consequências naturais do amor entre duas pessoas. Hoje primeiro se faz sexo e, se der sorte, pode até “pintar” o amor depois, mas é difícil acontecer. E como não há um sentimento forte unindo as pessoas, as relações são descartáveis.

Amanhã será mais uma vez domingo… Não foi só a semana que passou célere não, os anos dourados também se foram rápidos demais e não se pode ao menos pedir bis.

Entre Domingos

menina
A semana passou tão rápido que levei o maior susto ao constatar que hoje já é sexta-feira! Não me dei conta que o tempo havia corrido assim. Ainda há pouco era domingo e já será domingo novamente depois de amanhã…Tenho ouvido as pessoas falarem que hoje os dias passam mais rápido. Há uma urgência nas coisas, que faz com que andemos igual ao Coelho Branco da história de Alice, no País das Maravilhas, repetindo a cantilena: “Oh puxa! Oh puxa! Eu devo estar muito atrasado!”.

Não se pára mais para apreciar o vôo das borboletas em torno dos canteiros. Nem sequer percebemos se há canteiros… Ninguém nota o suave murmurar da brisa sobre a copa das árvores, nem céu cheio de nuvens que se parecem com carneirinhos. Céu pedrento… Quando menina eu ouvia os adultos dizerem: “Céu pedrento chuva ou vento, ou qualquer outro tempo”. O céu de hoje é outro e de lá não vem apenas chuva, ou sol. Vem bombas. Caem aviões.

Lembro que bem pequena ia sempre à praia. Era delicioso sentar ali na beirinha da água e ficar fazendo castelinhos de areia. Uma onda mais forte derrubava tudo e entre gritos e muitas risadas, nós crianças, refazíamos tudo. Os adultos, sob os guarda-sóis, ficavam conversando ou simplesmente aproveitando o momento. Vez por outro éramos convocados a tomar um sorvete, chupar um picolé.

A praia de hoje tem frescobol, cachorros, vendedores de todo tipo, pessoas que comem desesperadamente, e comem de tudo: do pastel ao queijinho assado; da água de coco ao uísque; do peixe assado ao cachorro-quente. Um festival gastronômico regado à brisa marinha.

Ia-se às pracinhas, ao Jardim Zoológico, ao cinema do bairro nas deliciosas matinês de sábado. Os cinemas colocavam cartazes anunciando o vesperal do fim de semana e corríamos para ver qual seria a nova fita a ser exibida. E cinema tinha lanterninha.

Oh, céus! Estou me sentindo um ser jurássico! Sou do tempo do lanterninha, dos beijos trocados no escurinho do cinema! Beijos hoje dão-se em shoppings, às claras, sem pudores nem temores.
Depois de amanhã será mais uma vez domingo… Não foi só a semana que passou célere não, os anos dourados também se foram rápidos demais e não se pode ao menos pedir bis.

Postado em 22/07/2011

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