Bombas de Primavera

primavera

Há séculos, na época em que a civilização romana e o Latim correram o mundo, não se falava em quatro estações do ano. Havia apenas duas assim denominadas: ver[1], veris – tempo bom que tanto podia estar cheio de frutos gostosos como de flores lindas e perfumadas. Era o tempo da cor e do sabor; e hibernus tempus – o tempo mau, tempo do frio, das água abundantes, da chuva intermitente, da neve. Era o tempo em que o mundo mergulhava em brumas cinzentas e frias. Por outro lado, cada um destes dois tempos ou estações, foi dividido em três partes onde primo vere, portanto, seria o começo da boa estação, a primavera tão cantada em prosa e verso. Não à toa o termo primavera é associado a primeiras coisas, a inícios.

Hoje é a primeira manhã de setembro, mês da primavera, início do que seria a boa estação. Manhãs de setembro, por obrigação, deveriam ser coloridas e festivas, trazendo boas novas e sorrisos. Manhãs de setembro teriam que ser cheias de música e de sol. As manhãs de setembro eram para ser tomadas pelo perfume suave de começos onde as flores dão o tom e a cor.

Hoje é a primeira manhã de setembro véspera de uma primavera que se anuncia triste. A promessa que se tem não é de flores em abundância, não é de perfume no ar, não é de tardes de céu azul.  O que existe é a promessa de uma guerra no Oriente Médio. Será o terror para combater o terror. As mídias irão mostrar crianças e mulheres, velhos e jovens mortos em nome da paz. Mata-se para que haja paz. Tortura-se para que haja paz.

Triste primavera a do Hemisfério Sul que irá acompanhar tudo isso. Triste outono do Hemisfério Norte que viverá isso. A paz é o ideal supremo de qualquer povo. Ou pelo menos deveria ser assim. Mas onde ela se encontra? Em cidades cuja violência mata mais que uma guerra? Em países cujos habitantes morrem torturados pela fome? Em nações cuja corrupção avilta e empobrece o seu povo?

Não há paz. E já faz tempo que ela deixou de existir. As flores de primavera são artigo de luxo, caras demais para o bolso de menos de todos nós. As flores de primavera enfeitarão palácios e casas de cores variadas cujos donos brincam de deuses e ordenam guerras para selar a paz.

 



[1]Informações sobre origem da palavra primavera encontradas em http://informaraprendersaber.blogspot.com.br/2010/09/origem-da-palavra-primavera.html

Flores de Primavera


Um sentimento diferente, talvez inusitado, envolvia aquele lugar. Meio inexplicável… Era possível sentir como lâmina fina que suavemente roça a pele, mas não a corta. No ar um cálido perfume, daqueles que aspiramos com tanto prazer que prendemos a respiração para retê-lo um pouco dentro de nós. Uma luz diferente, tênue, mas bela, de uma beleza quase irreal.

Era como se estivesse num lugar de sonhos, como aqueles que aparecem em contos de fadas. Fechei os olhos e senti como se esvoaçasse, tal borboleta que levemente pousa de flor em flor. Uma onda de felicidade começou a tomar conta do meu coração aquecendo-o.

De onde vinham todas essas sensações? Que mistério havia ali que despertava os sentidos daquela forma tão arrebatadora? Estaria sonhando? Tive medo de abrir os olhos e descobrir que nada daquilo era real. Entretanto era necessário descobrir o porquê daquele doce mistério.

Lentamente, olhei ao meu redor e descobri a origem de tudo aquilo. Havia um pequeno canteiro de rosas amarelas, algumas ainda em botões, outras já abertas exuberantemente belas. Pequenas gotas de orvalho ainda brilhavam nas pétalas e nas folhas. Naquele recanto ali quase escondido a vida estava começando e anunciava que era tempo de abrirmos o coração para a alegria, a esperança, o amor, a renovação. O inverno poderia ter sido longo, cinzento, frio, triste, mas a primavera, enfim, havia chegado…

Postado em 19/11/2011
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