Esconderijos

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Gosto de lugares em que possa esconder minha alma atribulada. Vãos embaixo de escadas são ótimos para isso porque têm um pouco de sombra e de luz, mais sombra talvez.  Ultimamente escolhi a opacidade como vitrine de mim mesma. Essa história de ser transparente não é nada conveniente, pois dá margem a todo mundo achar que nos conhece muito bem e que somos um livro aberto sem páginas dobradas, rasgadas, faltando.

Não quero ninguém radiografando minha alma, minha vida, meus pensamentos.  Opto pela incógnita, pelo jogo do esconde-esconde, pelo mistério. Que coisa mais sem graça essa de andar se desnudando, mostrando-se inteiramente sem nenhum véu, por menor que seja, cobrindo algumas partes do eu mesma. Oculto minh ‘alma sob grossa  burca e deixo que a curiosidade alheia adivinhe o que há por baixo dela.

Vou andar por aí cobrindo meus desejos e anseios, tristezas e choros, decepções e tomadas de decisão com a capa da invisibilidade. Quem quiser me conhecer a fundo, olhe-me demoradamente e com cuidado, procure perceber nos detalhes o que me aflige ou alegra. Não precisa discursar amizade, nem gritar aos quatro ventos que me ama. Quando perceber algo, seja o que for, basta que toque meu ombro com mão morna e sem palavras faça que eu ouça com o coração: “estou aqui com você”.