Fazendo Hora

DENSA NEVOAPasso as madrugadas remendando a minha alma puída pela saudade, mágoas e tristezas, sentimentos masoquistas e tão humanos. No decorrer das horas mortas tento cerzir espaços menores, antes que se transformem em feridas incuráveis. Há um luto em mim que não finda, uma melancolia amarga que brinca de esconde-esconde.

Os que estão de fora elucubram não-razões através de afirmaçõezinhas idiotas: não há motivo pra isso, a vida dela é tão boa!  Quem poderá jamais penetrar no coração e mente de alguém para saber o que ali se passa? São searas impenetráveis aos forasteiros, mundos cujas margens são desconhecidas ao próprio dono.

Quem sabe palavras não ditas, beijos não dados, amores não declarados, flores não recebidas, sonhos irrealizados, projetos inacabados, desculpas não ouvidas, convites não recebidos, quem saberá o quanto, ao longo do tempo, esgarçaram o tecido da alma até rompê-lo? Quem sabe?

Dentre a névoa rala do alvorecer vou dando os últimos nós frágeis em fios invisíveis de pensamentos costureiros, mas é impossível juntar todos os retalhos desse eu que vai se perdendo aos poucos, em pequenas doses letais de amargura e tristeza. O tempo, locomotiva célere que não faz paradas, breve chegará nesta estação e dar-me-á o bilhete só de ida para um mundo sem dor.

 

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